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| Trecho de Diário íntimo: A fotografia de Alice Brill * __________________ Igor Bezerra Marcel Duchamp: atividade e intranscendência __________________ Vitralista holandês de alma brasileira: __________________ |
Vitralista
holandês de alma brasileira:
De família de vitralistas-o avô Heinrich e o pai Frederik
(Fritz) eram vitralistas conhecidos na Alemanha e norte da Holanda
no final do século XIX e inicio do XX, o holandês Ton
Geuer demorou a seguir a tradição familiar. Começou
a trabalhar com vitrais aos quarenta anos, e para sorte nossa aqui
em Campinas, mais precisamente em Barão Geraldo (sub prefeitura
de Campinas e atualmente grande pólo cultural por causa da
proximidade da Unicamp) onde vive desde que chegou ao Brasil.
Sua casa que é também seu atelier e sua oficina é
maravilhosa-espaçosa, clara, de tijolos à vista, rodeada
de plantas que ele a mulher e as filhas cultivam, cheia de vitrais,
criações exclusivas premiadas, amostras de trabalhos
que dão uma panorâmica de toda a sua trajetória,
desde o inicio com os vitrais já com desenhos de figuras apenas
sugeridas, passando pelas pesquisas em vidro, até chegar as
suas criações que inovam na arte: os vitrais com vidros
incolores de diferentes texturas - sucesso absoluto na decoração
de interiores que ele apresentou pela vez na Casa Décor organizada
pela Solange Tannurri em 1996. Sem falar do acervo dos belos vitrais
que Ton para as igrejas não só de Campinas e região,
mas de todo o Brasil. Aos oitenta e oito anos não é o momento de se fazer um balanço? Quantos trabalhos foram realizados? Mais de duzentos vitrais para igrejas e mais de trezentos para residências.” A gente está fazendo este levantamento”, explica a filha Mathilde responsável pela produção, supervisão dos trabalhos da equipe composta por Ton , 15 ajudantes inclusive duas estudantes de artes plásticas da Unicamp, e mais duas filhas: Tinike e Marianna. A Marianna fica na administração e a Tinike coordena os trabalhos de restauração. E o Ton ainda trabalha? “Meu pai tem uma energia e uma criatividade incríveis. Se a gente deixar ele trabalha mais que todos juntos”.
Pai
introduz o
A história começa no final do século XIX, com
o avô alemão, Heinrich Geuer, fazendo vitrais na famosa
Catedral de Colônia. Acontece que o bispo de Utrecht, cidade
do centro da Holanda, monsenhor Van Heukeln, responsável pelo
renascimento da fé católica no norte do país,
começou a requisitar artistas para fazer os vitrais das suas
igrejas. O avô de Ton tranfere-se então para a Holanda,
juntamente com outros artistas e lá se estabelece. O pai, Fritz
Geuer, continuando a tradição paterna foi para a Alemanha
estudar arte na Universidade de Munique voltando na seqüência
para a Holanda, onde se casou. Ton nasceu na cidade de Soest, perto
de Utrecht e desde criança conviveu com vitrais. No
Brasil, Ton finalmente
Mas ainda que Ton tenha aprendido a técnica do vitral com o
pai, ele só vai se iniciar nesta arte aqui no Brasil na década
de 60. Não se considerava um artista como o pai, os tios, os
irmãos. Tanto assim que na Bolívia, para onde a família
se transferiu fugindo do nazismo – “nós não
somos judeus, mas meu pai não gostou dos nazistas fazendo queimas
de livros, e, além disso, minha mãe era uma pacifista
fanática” - e onde viveu 23 anos com os pais, fez outras
coisas: laticínios, cerâmica, tear, tapeçaria. Como
vitralista enfrenta
Como não se via morando numa colônia holandesa pensou
em Campinas ou Jaguariúna: acabou ficando em Barão Geraldo.
Foi ao Consulado se apresentou e colocou um anuncio nos jornais se
oferecendo como técnico em cerâmica e vitralista. Foi
então que encontrou um padre holandês que estava em missão
numa igreja da Vila Industrial, o padre Jans Schuur, que conhecendo
a fama da família Geuer, vai incentivá-lo a começar
para valer nos vitrais. Ele começou, mas antes teve que lutar
contra um verdadeiro trust do vidro. E não é que este fato estimulou Ton, porque nada como uma boa disputa para definir carreiras. O fato é que Ton foi em frente, no começo só ele e a mulher, e depois já formando uma equipe. Chegou a ter 23 funcionários. Hoje tem 15 e está definitivamente consolidado como vitralista, aliás, o único da cidade com tradição técnica como ele diz, e um dos poucos do Brasil. Só para se avaliar a raridade desta modalidade artística, vale lembrar que há atualmente seis vitralistas no Brasil: o Studio Conrado em São Paulo, o Mansur em Itú, seu irmão, Paulo Geuer, em Porto Alegre, Frederik Geuer, seu filho em São Paulo a filha Yolanda Catharina Maria Geuer Castel em Ribeirão Preto, e Ton em Campinas. Vidros
com texturas
E afinal quem sabe o pai de Ton Geuer tivesse razão quando
não deixou que ele freqüentasse academias de arte? “Naquele
tempo”, ele explica, “a Academia era tão forte
que o artista podia perder a identidade. É lógico que
a Academia ajuda, mas também atrapalha porque tira a personalidade
do artista, seu toque pessoal”. Porque o processo de importação do vidro continua sendo complicado e caro. Hoje não há mais o monopólio, mas as importações são feitas via Estados Unidos. Os vidros melhores continuam sendo os belgas, alemães e ingleses e franceses, mas os americanos concentram lá as importações e os vitralistas de todo mundo compram deles. Mas não só isso. Mathilde vê a questão mais da cultura do país, que só agora começou a dar o devido valor a esta arte”. Hoje os arquitetos sentem que o vitral pode enriquecer o ambiente, e sugerem aos seus clientes como opção de decoração. Daí que o vitral hoje está sendo muito usado em residências para realçar o ambiente, como peça de arte mesmo.E a tendência hoje é o vidro com diferentes texturas, incolores ou com cores claras,o que dá sobriedade e não choca com outras peças da decoração.”
Se voce quiser ver os vitrais de Ton Geuer, vai ter que fazer um tour
não apenas pelas igrejas de Campinas: ele tem obras em várias
cidades da região e em outros estados do Brasil. Aliás,
em Campinas os vitrais de praticamente todas as igrejas são
seus, à exceção dos da igreja Santa Rita de Cássia
na Nova Campinas (que ele restaurou há alguns anos) os da Nossa
Senhora do Carmo, no centro da cidade e o paravento da Catedral Metropolitana
de Campinas.
Recentemente criou os vitrais da Capela São Vicente em Campinas,
em estilo gótico para seguir o estilo criado pela arquiteta
Maria Rita Amoroso e ainda. E ainda os vitrais da Igreja Nossa Senhora
do Carmo, em Presidente Prudente que é a primeira que tem nos
vitrais o rosário agora com os quatros mistérios, já
que foi feito na seqüência da introdução
dos mistérios Luminosos pelo Papa João Paulo II.
Há cerca de cinco anos Ton reconstruiu os belos vitrais da igreja do Liceu Nossa Senhora Auxiliadora do Guanabara em Campinas e fez ainda janelas com vidro em concreto da Igreja Santana no Bairro Santa Isabel de Barão Geraldo utilizando fundos de garrafa. O resultado é surpreendente. Mas de todos esses Ton considera o mais o mais revolucionário, o trabalho que fez na igreja de Santana em Valinhos. Seus primeiros vitrais ainda tinham um pouco da influencia do pai, do avô, daquela ideologia medieval, de Chartres. “Sempre achei os desenhos belgas, holandeses e mesmo os italianos muito teatrais. Queria fazer uma coisa mais real, mais simples”. Junção
criativa
Mas afinal qual o segredo dos vitrais e como optar por esta ou aquela
temática? “O fundamental nesta arte”, diz Ton,
“ é criar ambiente, já que o vitral é luz
colorida. Fora isso a beleza da arte vai consistir na junção
correta e criativa dos materiais”.Os vidros melhores são
os franceses na sua opinião, ainda que ele utilize vidros nacionais
e esteja fazendo pesquisa para criar seu próprio vidro. E finalmente,
a realização propriamente dita das peças com
uso de tintas especiais para criar os temas, que apesar de serem sacros
nem sempre são os mesmos. Para a concepção de
cada conjunto de vitrais de cada igreja Ton conversa com os párocos
e afinal chegam a um consenso. Leia mais no site do artista E sobre o estilo gótico e flamenco
História e arte dos vitrais
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Jornalista Ana Lucia Vasconcelos Web designer-Edson Souza
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