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Introdução
- As aparições da Virgem Maria e sua
relação com os acontecimentos mundiais
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Primeiro Capítulo
Por
que a Virgem Maria
aparece para os homens?
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Segundo
Capítulo
Manifestações
da
Virgem no Brasil
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Terceiro
Capítulo
Aparições da Virgem
Mensagens e milagres
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Quinto
Capitulo
“Os
meus olhos”.
viram a vossa Salvação”
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Sexto
Capitulo
Virgindade
perene de Maria
questão polêmica
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Sétimo
Capitulo
Tratado
da Verdadeira
Devoção à Santíssima Virgem
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Oitavo
Capitulo
A natureza da devoção
à Santíssima Virgem
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Nono Capítulo
A
Iconografia Mariana
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10º.
Capitulo
A
primeira aparição
da Virgem à São Tiago
_____________________
Capítulo
11
As
aparições da Virgem nos séculos
III a X
_____________________
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Sexto Capitulo
Virgindade
perene de Maria
questão polêmica
Ana
Lúcia Vasconcelos
Outra questão muito estudada e polêmica foi a perpétua
virgindade de Maria, que não é abordada pelos quatro
evangelistas nem por qualquer escrito importante dos três primeiros
séculos do catolicismo. Para o teólogo romano Tertuliano
(150 -222), o fato do casamento de Maria ter ocorrido antes da concepção
de Cristo, é um bom argumento para provar a realidade da encarnação
(de que Deus se fez homem efetivamente).
Já o teólogo Orígenes, apela para o argumento
dos irmãos de Jesus, na controvérsia contra os que afirmavam
que Cristo teve apenas um corpo fantástico e não real.
Interessante notar que esta doutrina-da virgindade perene (em grego
aeiparthenia), foi inicialmente herética. Foi divulgada num
escrito proibido pelos primeiros papas, sobretudo pelo Papa Gelésio
I, no Protoevangelium Jacobi (Primeiro Evangelho de Jacó) escrito,
como em geral se admite, no século II. Baseado neste, surgiram
outros pseudo - evangelhos sendo um deles um texto que São
Jerônimo (383), admite ter escrito na adolescência, e
onde aventava a hipótese da virgindade perpétua de Maria
por ocasião de uma veemente disputa com Helvidio.

São Jerônimo afirma que depois disso, esta doutrina ganhou
terreno rapidamente. Chega a dizer que os irmãos de Jesus (referidos
nos evangelhos) não eram filhos de Maria, nem de José
em casamento anterior, mas de outra Maria, irmã da Virgem e
esposa de Cleofas ou Alfeu. Esta doutrina foi aceita oficialmente
pela Igreja no Concílio de Calcedônia de 541 e fica desta
forma incorporada à dos ortodoxos e católicos romanos
sendo defendida por muitos anglicanos, alguns luteranos e ainda certos
teólogos protestantes.
Desde os primórdios provocou outra questão que provocou
disputas foi a doutrina que afirma a Imaculada Conceição
ou a ausência total de pecado em Maria, até mesmo daquele,
que segundo a Igreja, é transmitido por herança de Adão.
Apesar de hoje ser um dogma católico, não fez parte
da tradição primitiva. Santo Agostinho afirma que ela
nasceu com o pecado original, mas defende sua imunidade contra qualquer
outro pecado. Igualmente Santo Anselmo defende esta causa na sua homilia
Cur Deus Homo-II 16 (Porque Deus se fez Homem). Santo Agostinho, mais
tarde, no seu De Natura et Gratia (Da Natureza da Graça, cap.36)
, já chega a admiti-la, embora não queira entrar no
mérito da questão. A doutrina atual começou no
século XII quando foi criada oficialmente pela Igreja, a festa
da Imaculada Conceição.
Unidade de pessoa
em Cristo
Mas é principalmente na polêmica cristológica
- que trata da unidade de pessoa em Cristo, que a maternidade de Maria
ocupa um lugar central: tratava-se de reivindicar para Jesus Cristo
uma humanidade integral contra alguns hereges que não queriam
reconhecer a sua corporeidade real e concreta. Vejamos a questão:
o título de Mãe de Deus foi dado a Maria pela primeira
vez por teólogos de Alexandria, no século IV, ainda
que haja documentos atestando que já nos dois primeiros séculos
da Igreja Maria era conhecida como Mãe de Jesus e Mãe
da Igreja, realizando a profecia cantada no Magnificat: “Eis
que as gerações me chamarão bem aventurada”.
No século II, Nestório refuta esta doutrina como atentatória
à dignidade de Deus, mas a reação da cristandade
foi unânime e enérgica, até violenta. As discussões
ferveram ao longo dos séculos III e IV passando pelo Concilio
de Nicéia (325) e culminando na definição do
Concilio de Èfeso (431) que consagra a expressão Mãe
de Deus (theotókos) em grego, (e em latim deipara), portanto
contrária aos adeptos da doutrina de Nestório.
O argumento de Nestório baseava na distinção
que fazia de: Jesus o Verbo- Deus, e o homem, pretendendo que Maria
fosse apenas mãe do homem e não de Deus. Era, portanto
a questão da unidade de pessoa em Jesus Cristo que estava em
causa. Mas ao mesmo tempo em que se define a questão cristológica,
define-se também a imagem de Maria, cuja grandeza está
na maternidade divina. E os dois atributos já referidos anteriormente
que envolvem a questão da virgindade e da santidade plena (concebida
sem pecado) aparecem como constante da definição de
fé e como conseqüência de sua prerrogativa de Mãe
de Deus. Foi ainda no Concílio de Éfeso que surgiu a
oração que completa a Ave Maria: Santa Maria, Mãe
de Deus... “Igualmente data daí o costume de se ostentar
a Virgem com o Menino. E deste atributo - Mãe de Deus nasce
o seu poder de intercessão junto a Deus em favor dos homens.
Por isso é também cognominada a Onipotência Suplicante”.
O
culto à Maria
Não consta que Maria tenha sido objeto de culto específico
na Igreja primitiva. Sua presença na fé dos primeiros
cristãos é, porém atestada pelos documentos mais
antigos da tradição, como os símbolos em que
se afirma que o Cristo nasceu da Maria Virgem ou os testemunhos de
Santo Inácio de Antioquia (107) São Justino (167), Santo
Irineu (202) Tertuliano (150). Orígenes (254).
Inicialmente se dava ênfase à filiação
humana de Jesus, ex-Maria Virgine, para situá-lo na descendência
de Davi, verificando-se a realização das profecias messiânicas.
Aos poucos a figura de Maria emerge, e Irineu já explora o
paralelismo entre Maria e Eva. A afirmação da virgindade
é constante, liga-se a profecia de Isaías (7,13): “Por
isto o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem
conceberá e dará à luz um filho e o chamará
Deus Conosco”. Bem mais tarde Maria se torna objeto de culto
e de uma reflexão teológica específica, começo
do que posteriormente passou a se chamar Mariologia.
Purificação da Santa Virgem
é festa mais antiga
A festa mais antiga que se tem noticia é da Apresentação
de Maria no Templo em Jerusalém, que ficou conhecida no Ocidente
como Purificação da Santa Virgem e data da segunda metade
do século IV. Na Armênia como na Gália e na Espanha,
o documento do século VI registra um dia consagrado a Maria
nas imediações do Natal. Em Roma vamos encontrar apenas
no século VII, festas dedicadas a Maria, e mesmo estas, de
inspiração bizantina. São elas: a Purificação,
a Anunciação (25 de março) a Natividade de Maria
(8 de setembro) e a Dormitio ou Koimesis( dormição)
no Oriente (15 de agosto) mais conhecida como Assunção.A
Festa da Imaculada Conceição é posterior no Ocidente
e embora conste de calendários particulares desde o fim do
século IX, sua celebração vai se tornar generalizada
apenas na segunda metade do século XI. A partir do século
IX, Maria, como Mãe do Redentor, vai começar a ser chamada
de Redentora.
No século XV lhe é dado o título de Co-Redentora.
Em 1854 portando no século XIX, Pio IX define o dogma da Imaculada
Conceição de Maria, sendo que o dogma da Assunção
foi definido por Pio XII em 1950. Estas festas vão abrir caminho
para outras devoções que encontram clima propício
para se desenvolver no misticismo que caracteriza o fim da Idade Média.
E a piedade mariana faz-se presente em inumeráveis igrejas,
catedrais, santuários para onde vão multidões
em peregrinação, confrarias, que vão provocar
movimentos de reação entre os protestantes especialmente
da Reforma. Segundo eles, era preciso restituir a Cristo, o lugar
central na devoção.
Superveneração
No calor da polêmica os dois lados cometeram excessos e a reação
anti-reformista vai além, dando ênfase exagerada ao culto
dos santos, entre os quais Maria vai ocupar lugar singular, a ponto
de o seu culto receber especial denominação: hiperdulia
que se poderia traduzir como superveneração. Estavam
abertas as comportas para o sentimento que vai dominar todo o século
XVII, sendo que a reação contra a Reforma vai atingir
seu auge na Península Ibérica, exatamente na época
em que o Brasil foi descoberto, fato que vai influenciar profundamente
a nossa catequese. Os especialistas acreditam que o culto mariano
se desenvolveu muito no Brasil principalmente pelo tipo de sociedade
patriarcal que aqui vigorava o que deu como conseqüência
o predomínio da figura materna na afetividade, que vai se projetar
na piedade.
No decorrer dos anos, o culto à Maria vai se tornar tão
importante, a ponto de desenvolver-se como uma teologia própria-a
Mariologia. O Concílio Vaticano II vai reequilibrar o culto
mariano, reintroduzindo o mistério de Maria no mistério
da Igreja.
Segundo o padre Roman, falta definir os dogmas de Maria Medianeira
de Todas as Graças, Advogada e Co-Redentora, título
que fica submisso ao único Medianeiro, Jesus Cristo. “Recordemos”
ele diz, “que Maria por ter sido escolhida para ser Mãe
de Jesus, significou tão alta entrega a Deus que foi preservada
do pecado original. E a sua Assunção ao céu,
significou a suprema configuração com Jesus, seu Filho”.
Mãe
de Deus e
Mãe dos homens
“A
maternidade virginal é o privilégio central donde derivam
todos os outros privilégios de Maria. Pelo seu SIM à
mensagem de Deus, Maria contribuiu para a salvação de
todos os homens. Isso significa que, de acordo com os desígnios
de Deus, os homens devem aceitar (com a graça de Deus) a sua
própria salvação. Diz o teólogo Schmaus
que ‘em Maria se concentra o SIM dos homens a Deus e a Cristo
como Salvador. Em seu SIM, Maria recebeu a salvação
para todos os homens’”.
O padre Roman lembra que Maria exerceu um papel fundamental quando
o Espírito Santo desceu para constituir a Igreja: Ela estava
ali presente. Agora, glorificada corporalmente, continua com sua missão
que exercera quando estava na Terra. É claro”, ele lembra
que aquilo que Maria é, o é devido a seu Filho Jesus.
O que faz, o faz por Jesus Cristo. Maria glorificada exerce o seu
papel de intercessão. E esta é essencial para ela. Ela
tem todo o poder. É a Onipotência Suplicante. A missão
de Maria no céu consiste na entrega à Cristo e na solidariedade
em favor dos homens que ainda estão peregrinando para a casa
do Pai. Devido a esta solidariedade de Mãe, ela acompanha os
passos de todos e da cada um de seus filhos, diariamente. Está
presente em suas necessidades.”
Jesus é Deus
e homem
“Jesus
é ao mesmo tempo Deus e homem, isto é, tem duas naturezas:
uma divina e outra humana. Mas a pessoa é uma, a segunda da
Trindade. O EU a quem se atribui tanto os atos divinos, como os atos
humanos, é o EU DIVINO. Todos os atos de Jesus realizados,
como homem, são atribuídos à PESSOA DIVINA. Por
isso Maria, sendo Mãe de Jesus, é Mãe de Deus,
uma vez que a pessoa de Jesus é Deus. E por ser Mãe
de Deus é também mãe dos homens. Nossa Senhora
se tornou a Onipotência Suplicante, isto é, aquela que
pede e distribui todas as graças que vem de Cristo. Jesus é
o único Mediador, mas ele quis colocar a mãe dele como
Medianeira entre Ele e os seres humanos. Por isso, podemos e devemos
invocá-la sob o título de Medianeira, Advogada e Procuradora
da humanidade .”
“Maria assume sua missão, começando logo depois
que Jesus subiu ao céu. Ela mantém os apóstolos
unidos, rezando com eles, à espera do Espírito Santo.
Ela, na sua humildade, ajuda a Igreja nascente com suas preces e seus
conselhos. Mas ela é Mãe de todos os homens, em todos
os tempos, por isso os acompanha até o fim do mundo. Assim,
enquanto houver um ser humano sobre a terra, ela não sossega,
pois para todos deseja a salvação. Ela manifesta a misericórdia
de Deus, tornando-a presente no meio dos homens, com seu carisma de
mãe”.
Por isso através dos séculos, quando seus filhos necessitam,
ela, muitas vezes aparece e deixa suas mensagens à humanidade,
através de algumas pessoas, a quem chamamos videntes. Nestas
aparições em geral, Nossa Senhora deixa sempre propostas,
nunca imposições. Ela deixa aos homens a liberdade de
escolha. É evidente que quando se escolhe o que ela propõe,
escolhe-se o melhor: aquilo que está no Evangelho e que os
homens em geral esqueceram. Pois, sendo Mãe, Ela sempre quer
o melhor para seus filhos”.
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