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A solidão como conseqüência Um
estudo da incomunicabilidade Arthur Tuoto
Desde Vive L’ Amour Tsai vem construindo seu estudo dentro desse mesmo universo, aonde personagens e ambientes podem parecer iguais mesmo depois de passado alguns anos, mas cada filme é como um novo caminho gradualmente denso e perpetuado por uma sutil desilusão. Desilusão essa que em um primeiro momento soa melancólica, mas que encontra sua plenitude em uma solidão meditativa, quase como um reflexo despretensioso do cotidiano de uma Taiwan fria e contaminada por um desafeto alheio. Os personagens de Tsai têm a função de sobreviver neste mundo, o que para eles já é bastante complicado e desgastante, mas que ao final de um novo caminho surge algo que se assemelha a um entendimento universal (redenção?), seja chorando copiosamente por dez minutos ininterruptos em uma praça pública, seja esporrando na garganta da pessoa que foi a causa disso tudo. Eu não quero dormir sozinho (2006), o último filme do diretor, quebra um pouco a trajetória iniciada em seu universo desde Vive L’Amour. Pela primeira vez Tsai filma em seu país de origem, a Malásia, um ambiente ainda mais hostil e de certa maneira estrangeiro aos olhos do mesmo Hisao-Kang, que agora não passa de um sem-teto que em momento algum revela qualquer indício de seu passado. Em tempos em que o cinema contemporâneo vem tratando a solidão como um ideal a ser apenas vivido/contemplado sem uma finalização concisa- vide Brown Bunny e Last Days. Tsai surge como a alternativa mais sincera e madura disso tudo. Gus Van Sant tentou definir um anti-herói com uma estrutura forçada justamente para quebrar esse ideal, o que ficou completamente explícito e consequentemente desonesto. Já o ideal de Gallo é ele mesmo, e o seu maior problema foi tentar justificar esse ideal logo ao final de seu filme. Tsai Ming Liang não trata a solidão como um ideal, mas sim como uma conseqüência, seus personagens não passaram por grandes eventos, não possuem grandes problemas, eles apenas estão sozinhos e isso já é grande o suficiente. A evolução desse diretor e de seu estudo devem ser tratados não só como simples filmes sobre uma certa solidão urbana universal, devem ser vistos como uma tentativa de humanismo em uma arte aonde muitas vezes a degradação pessoal se torna gratuita e simplesmente estética. Leia mais sobre o cineasta neste link: Arthur Tuoto, 22 anos é cineasta independente e crítico de cinema e vive em São Paulo. Seu trabalho inclui curta-metragem, videoarte, videoclipe, documentário e fotografia. Com um trabalho que busca, na experimentação da narrativa digital, um cinema atmosférico e celebrativo, seus vídeos já foram exibidos em diversos festivais nacionais e internacionais, assim como em vários canais de TV. Sua obra tem como principais temas: alienação, solidão e espiritualidade. Vive em São Paulo, Brasil. / Curitiba - PR / Brasil.
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Jornalista Ana Lucia Vasconcelos Web designer-Edson Souza
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