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Fragmento do livro
 Teoria do Tempo da Eternidade - Cap. 18

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O que é, Cultura?

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I love Rio ou
Ai de ti Copacabana

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Gramsci e Tillich:
o intelectual e a democracia
Prof. Dr. Jorge Pinheiro*

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A Crítica de Schopenhauer à arte medieval

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O QUE É ISTO, CULTURA?

 

Escrevi este artigo quando fazia mestrado na Unicamp, mais exatamente de 90 a 93, durante um curso maravilhoso ministrado pelo professor Antonio Muniz de Rezende sobre Filosofia da Linguagem e Psicanálise. Ali recordei que depois que Descartes (1596-1650) disse cogito ergo sum, fiquei sabendo que existo, dado que penso. E ainda aprendi que Martin Heidegger, ( 1889-1976) filósofo alemão, disse que o ser humano fala, o que, aliás, todos sabemos. A novidade é que ele fala não por ser humano, mas o ser humano é humano porque fala. Daí que eu tenho outro dado: sou um ser humano, dado que falo.
Fora isso aprendi que depois de Kant (1724-1804) houve uma mudança radical na questão do conhecimento, segundo os estudiosos da questão. Até Descartes a questão que se colocava era: o que conhecemos, quando conhecemos alguma coisa? Com Kant a questão passou a ser: o que dizemos, quando dizemos que conhecemos (alguma coisa)?


Ou seja, e estou ainda citando o professor Muniz de Rezende: "a filosofia passou a ser uma filosofia da linguagem, uma lógica do conhecimento. Kant dizia que só a ação nos salva de um mundo fechado e Marx (1818-1883) vai dizer que não se trata de conhecer o mundo, mas de transformá-lo e que só conhecemos realmente o mundo quando queremos transformá-lo".


Ou seja, para Marx, a práxis é a salvação do conhecimento. Para ele, a possibilidade do conhecimento se dá graças ao embate, ao afrontamento do homem com a natureza, do que resulta a cultura. Assim, a cultura para ele seria fruto da transformação da natureza pela ação humana. O que significa em última análise, que o conhecimento nasceria da práxis. (Em tempo, quero esclarecer que não sou marxista, apenas estou citando um pensador com quem no caso, concordo completamente.)

" QUANDO EU OUÇO FALAR EM CULTURA EU PUXO O REVÓLVER"

 

Mas afinal o que é isto, cultura? Joseph Goebbels (1897-1945), diretor de Propaganda Política do Terceiro Reich, braço direito de Hitler, sobre esta questão emitiu uma frase que ficou célebre: "Cada vez que ouço falar em cultura, eu puxo o revólver". Alguns, quando ouvem falar na tal coisa, puxam uma caneta e prejudicam largamente a cultura e a arte,


Primeira reflexão: quer dizer que o conhecimento que nasce da práxis, ou seja, do contato dos homens em ação, em ação de viver no mundo é perigoso? talvez assustador? Sim, porque Goebbels disse que puxava o revólver e outros a caneta e o prejuízo que ocasionaram foi semelhante para os povos das respectivas nações, e então podemos concluir que eles tinham medo da cultura? Mas afinal, o que é isto cultura, para que pessoas tenham medo dela?


Cultura é o acervo de conhecimentos da humanidade, em primeiro lugar, mas não o acervo enquanto peça de museu, paralisado, feito, acabado, mas o acervo em processo de feitura. Enquanto escrevo este artigo, milhões de pessoas no mundo inteiro estão escrevendo suas matérias nos jornais, editoras, artistas estão criando suas obras nos seus coreógrafos estão fazendo seus balés, diretores de teatro ensaiando suas peças com seus atores, cientistas estão pesquisando nos seus laboratórios, estudantes estão aprendendo nas salas de aula, operários estão trabalhando em suas máquinas, novas descobertas em todos os ramos do conhecimento humano estão sendo detectadas nos simpósios e congressos e assim, neste espaço de tempo de algumas horas, este acervo já está enriquecido de novos conhecimentos e assim indefinidamente.


Mas cultura é também identidade de um povo, sua impressão digital, sua marca registrada.Quando eu digo sou brasileira, o estrangeiro que me ouve registra imediatamente as informações que tem sobre este país. Quando eu dizia isso na Europa a maioria dizia: carnaval, Pelé, Rio, ou seja, símbolos do Brasil que não são exatamente tudo o que é a cultura do país, mas é o que a maioria lá fora pensa da cultura brasileira.


Hoje naturalmente há o cinema que está voltando com fôrça no mercado internacional, a música popular, o teatro, a literatura brasileira que cada vez mais está sendo conhecida em outros países do planeta e mesmo as telenovelas (ainda que façamos todas as críticas acerca delas) enfim as coisas estão começando a melhorar, mas ainda é pouco. Se quisermos que as coisas mudem, precisamos mudá-las