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__________________ O Cata-Vento Maluco - Otávio Martins __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ __________________ Tere Tavares CUT-UP DE GRANDE SERTÃO: VEREDAS __________________ __________________
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Otávio Martins
Nunca perguntou ao pai porque a escolha de um tango argentino. Sua mãe, ele bem o sabia, era de fazer-lhe companhia, pelo simples hábito de permanecerem juntos em quase todos os momentos de lazer. Do lado de fora, nada, ou quase nada, se ouvia depois que ele trancava-se no quarto. Espalhados pelo pequeno cômodo, enormes bonecos traziam entre as mãos, cada um, o seu instrumento: violinos, violas, celo e madeiras, postados, assim, como uma orquestra de câmara. Todos vestidos ao rigor de uma grande apresentação. Somente ele ouviria, através dos fones, a música que passaria por um amplificador de alta fidelidade, trajando o melhor de seus figurinos para a ocasião; tinha caídos sobre os ombros, os cabelos soltos e desalinhados, precocemente grisalhos. Após alguns instantes de concentrado silêncio, sussurrava, dirigindo-se aos outros componentes da pequena orquestra, a contagem para definir a divisão e o andamento dos compassos que viriam ao erguer a batuta, num gesto de extrema delicadeza e elegância, iniciava a regência de um dos mais belos quintetos de Mozart.
No dia em que não mais precisou fazer companhia ao seu pai, para ouvirem o francês Charles Romuald Gardés – o verdadeiro nome de Carlos Gardel - numa de suas mais belas interpretações, trancou-se em seu quarto e dizem que nunca mais foi visto pela vizinhança.
Otávio Martins nasceu em Bagé - RS, divisa com o Uruguai, onde está atualmente. Mora em Pelotas e já fez de tudo um pouco na área de fotografia e cinema, produção de discos e shows. Foi repórter fotográfico e cinegrafista na antiga TV Tupi, em Fortaleza - TV Ceará -em 69/70 com seu amigo- o produtor de TV e cinema Paulo Augusto Santiago, com quem aprendeu a filmar em 16 mm, preto e branco, negativo. Neste período fez muitos filmes para um programa ao vivo: Porque hoje é sábado, principalmente com o Belchior e o Fagner. Foi repórter-fotográfico nos anos de 1977 e 1978 na sucursal do Correio do Povo de Porto Alegre em São Paulo que ficava na Praça da República. De 78 a 81 produziu shows e discos independentes com Eduardo Gudin, Roberto Riberti, Adoniran Barbosa/Paulinho Nogueira, João do Vale, Zé Kéti e outros. Foi produtor assistente do Primeiro Festival Universitário da TV Cultura em que Arrigo Barnabé foi o primeiro colocado e o segundo o Grupo Premeditando do Breque. Foi ainda assistente de produção do disco do Festival, cujo produtor era Antonio Carlos Carvalho, produtor da Continental. Trabalhou na divulgação de discos entre os quais de André Barata que fazia as músicas para Fafá de Belém em parceria com o pai dele. Fora isso e, além disso, é cozinheiro profissional com ênfase em frutos do mar tendo trabalhado seis ou sete temporadas em Florianópolis - Ingleses, Canasvieiras, Barra da Lagoa e outras praias, como chefe de cozinha até 1996 e para onde voltou em 2003. E para não falar que faz só isso foi durante quase um ano contrabaixista de um grupo de música popular brasileira. Atualmente edita o digital nb Jornal que nasceu há quatro anos. Foi quando começou sua vida de cronista, contista. Ouça Leila Pinheiro cantando Cata vento e Girassol
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Jornalista Ana Lucia Vasconcelos Web designer-Edson Souza
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