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Três contos de Amanda Bigonha

 

De Lado

Com passos lentos
e a sutileza de uma libélula não-púrpura
e pura,
ela andava por detrás da janela
e sentia em seu rosto o vento fraco
das tardes de invernos rigorosos.
Esboçava o Sol em seus quadros úmidos,
mas por vezes desistia.
o branco dos quadros era o que possuía
de mais fiel aos seus atos:
retratavam sua calma exata e sensata por vezes,
assim pensava.

-Mal sabiam a pessoas que passavam
pelo lado de fora da janela que,
não fossem as dores,
a garota não existiria


Foge


Nos sentamos no telhado, aquele que de tanta independência se perde e cai cada dia mais, beijando os pólos em instante-sim/instante-não. [O firmamento sente enquanto a Terra se cala, por respeito à solidão]. Ao deitar, engolimos torres televisivas e mergulhamos no azul. Azul. Azul. Azul furado de estrelas, buracos que são. O Leste é uma criança, precisa se divertir (a distração...); a Lua, um basculante: se esperneia toda quando cheia, mostrando seu segredo. Atrás do céu descobrir intensidade. Nascemos para tal. Agora sim posso lhe contar de onde vem a Luz. A branca Luz, mortal por não ser ofuscante; e nem se enrubece: SÓ brilha.
Após o abraço nupcial, as estrelas mudam de papel: fantasmagóricas, espiam o Amor, necessitam de amor: do nosso Amor.


If you are feeling Sinister


inevitavelmente ele chegava à varanda da casa, todo dias às cinco,e se debruçava no portãozinho que dava de frente para os carros que passavam a todo vapor. quase que os engolia.

e aí ele, se sentindo todo levado e moleque, gritava: -mamãe quer que eu me case!

ó, sim, aquele homenzarrão de vinte e cinco nadando sobre as rosas do lençol que aquela que inventou de colocá-lo ao mundo fazia questão de estender com a delicadeza que só têm os possuidores de mãos lisas. e o medo da roupa branca, do véu escorrendo dentro do seu estômago.

e então ele se ria, se mijava só de pensar na possibilidade de mais uma vez seus pais chamarem a dona Moça à casa deles afim de conhecer suas peculiaridades. ela veria os sapatos desarrumados na lavanderia e no chão do quarto; ela veria os maxilares da família tremendo, uníssoros, sinistros como só o sotão da casa conseguida sê-lo; ela veria seus pés errantes pisando no vestido enquanto dançavam o réquiem das horas de domingo; veria o engolir das comidas (eram todos sapos, todos sapos. uma família inteirinha de sapos!); veria o coro despreparado e a desafinação de seus companheiros em música, Os Alcalinos. oh, decerto ele nunca se casaria com Magdalena, a Moça. e principalmente ELA nunca se casaria com ele.

e a mamãe ainda quer que eu me case, todo dias, às cinco.


Amanda Bigonha é estudante mineira vive entre Ubá e Viçosa ,fotografa, escreve e pinta.

Para saber mais sobre ela veja seus blogs

http://www.tecnicolorindo.blogspot.com/
http://www.flickr.com/photos/ceudemim/
http://www.flickr.com/photos/cirandadepedra


 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

Web designer-Edson Souza