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Pacto Maldito

Amanda Bigonha Salomão

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Para Camille, com uma flor de pedra
Bárbara Lia

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Cinco poemas de Amanda Bigonha

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Oito poemas do Claudio Araújo

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FORNOS CARVOEIROS

Silas Corrêa Leite
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Jazz Improviso (Poema)

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Três poemas de Tatiana Monteiro

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Poemas de Tere Tavares*

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Para Camille, com uma flor de pedra


Bárbara Lia

Sakountala

Cinzel de prata esculpindo pés
Cada fagulha vermelha
um fio de cabelo do amor

Cinzel de prata treme
acende astros
de um azul escuro
em meu olhar algodão

Rodin!
Rodin!

Tantos pés teci
em mármore angustiado
-trilha de pés moldados-

esquerdo / direito
esquerdo / direito
esquerdo / direito

Tantos pés
emprestei-te
para ter-te assim
ajoelhado
enlaçado
abismado
abandonado

Augusto espectro
de fogo
onde queima
a aurora

Sei!
Tudo isto
é mármore!

Mas, antes
foi carne
vermelho abandono
amor petrificado


Antes do fim
às margens
do Rio Loire
nossa carne carmim
foi mármore.

Hamadryade

Poesia escrita com cinzel
Resquícios passados à pedra
a retirar das entranhas, risos
e guirlanda de nenúfares

Ninfa das árvores
tocada de abismo
a olhar o limiar trágico
acima dos lagos azulados

Hamadryade orgulhosa
retorna ao quarto escuro
brancas corujas no muro
no casarão da vida gloriosa

Crua beleza nua, Danaide
ouvindo as estrelas do Sena
um céu-verde claro sonoro
a levar a barca dos amantes.

...Trinta anos descolorem
rios
pedras
corujas.
Nunca os nenúfares...

Estes que rolam em cascatas
no castanho seda dos cabelos
e caem no lago do esquecimento
calcinando o ódio da menina
de Villeneuve-sur-Fére

Sepultada viva em Ville-Èvrard
sonha na cripta: o café do Brasil
cerejas embebidas em aguardente
um pacote de amor de mãe
um beijo da coruja ausente

Esculpe em astros abrasados
o ódio ao amante hostil
dorme congelada.
Destroços abraçados
à uma tola estrela senil


Niobide blessée

À sombra da noite clara
Latona no meu encalço
Espectros da última primavera

O Rio Loire um duplo do Aqueloou
Meu Monte Sípilo é Ville-Èvrard
Onde endureço carne e alma

Delírios brancos, visões:
Escunas leves com velas de vidro
E tombadilho de pétalas
Estilhaçam na roupa cinza
Ferem-me, beijam-me – qual o amor

Meu ódio espelha o trágico
Anseio que o mundo petrifique
Qual Zeus petrificou Tebas

Sonho com o anjo da restauração
Acordo. Nada se restaura
Tudo igual:

Cama dura de ferro
Urinol fétido, trincado
Três tâmaras secas
Dois gatos no cio a quebrar
O silêncio arredio da madrugada

Os loucos acordam com vislumbres de luz
- Átimo de lucidez.
Acenam lenços de seda à Latona fria
Choram um beija-flor e já no corredor
Vestem o olhar vazio.

Andam autômatos como rios mortos
Deságuam cinzas
No jardim de Ville-Èvrard.

Bárbara Lia – Poeta e escritora. Vive em Curitiba. Livros publicados: O sorriso de Leonardo (Kafka ed. - 2.004), Noir (ed. do autor – 2.006), O sal das rosas (Lumme editor – 2.007), A última chuva (ME – ed. alternativas – MG – 2.007). No prelo, lançamento para agosto/2000, o romance Solidão Calcinada (Secretaria da Cultura / Imprensa Oficial do Paraná, romance finalista do Prêmio Nacional do SESC 2.005 -
E-mail:

barbaralia@gmail.com
www.chaparaasborboletas.blogspot.



 

 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

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