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Poemas de Tere Tavares*

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Poemas de Tere Tavares*


Projeções

Se me fosse possível abrir,
De todos os aros,
Somente o mais glorioso.

Roubo pedaços, meros não escuros, erros.

Da pueril descoberta
Diante do éter dos meus palácios
Ter braços e ócios
Desespero e gozo.

 

Galáxias

Porque as flores me escolhem acolhedora de flores.


Se relembrar este meio desencontrasse o veio, o contraste de ver
abatido o meu não obtido. Se do firmamento firmasse só um
verso que fosse, um ai minúsculo, como se ópios caíssem
do que ouço de um exílio numa cascata de primaveras.

Porque as flores nutrem beija-flores.

Âmagos

Amada alma
Alada alga
Há uma água
Que alaga
Que salga

Amadas asas
Há uma águia
Que guia
Que salva
Que galga
Amadas guias
Há um Deus
Em algazarra
Que é um
E dois
Que se esgueira.

Intenções


Quero respirar todo frescor que está ao meu redor
sem preocupar-me com o que se deixou de falar,
sem mensurar a ansiedade que corta
as raízes – quem sabe das lágrimas e seus liames –
sofrer consciente de que passará,
como passa o mar e seu doce lamento.

Quero edificar novamente o que poderia ruir.
Não importa que não percebam.
Prefiro ver os perfumes e os gestos,
os flocos em liberdade,
como estrelas maduras
espalhadas sobre mim.
E, ao reabrir a festa que não se findará,
confundirei com o céu
o meu limite não convencionado.

Travessia

No dia em que nasci,
deram-me a herança
de todos os nascimentos,
as vidas que não lembro ter vivido,
o propósito - em natureza
e sabedoria - inexpugnável
ao meu estado humano.

Se mil conselhos existissem
de viver, mil vezes lhes diria:
não me é dado morrer
do que me alimenta e me traduz o sentir.

Vejam-me sem nada.

Ao coração
dou o encargo de não arruinar a alma
e, à mente, o desafio de cerzir-lhe os despojos.

Contudo, vejam-me:
recolho-me de tudo, aprendi a existir
sem importar-me se de fato existo.

A alegria que escorre do meu semblante
é uma semente errante que chora por sua terra.

À pergunta de estar bem, direi sim, e será verdade,
como é verdade o cio da chuva,
que namora a noite,
e se enamora de si,
e transborda de infinito,
e me sorri os amores
no essencial extenso de vivê-los.

 

Tere Tavares, poeta, contista, artista plástica.

Autora de dois livros publicados
“Flor Essência” (2004) e “Meus Outros” (2007).


Seu blog:

http://m-eusoutros.blogspot.com

 


 

 

 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

Web designer-Edson Souza