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Oito poemas do Claudio Araújo

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FORNOS CARVOEIROS

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Três poemas de Tatiana Monteiro

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Oito poemas do Claudio Araújo

1

cada navegador constrói nos dias
os seus mares
depois, a embarcação em que caiba seu corpo
e suas esperas
as armadilhas do medo e do abismo aguardam

algum navegador destrói nos dias
as partículas de um mar, imenso,
que conseguira.
o que ele tem: o peso da sua realidade
nos ombros doloridos,
a angústia de não ter sonho algum
presa de seu medo de ser
navegador
os outros,
circundando os seus construídos e esperançosos pedaços,
com redemoinhos e abismos atraindo-os, assim se constroem.

amarga a noite aproximada

não há comoção que salve



2


amigo, o que temos:
as possibilidades apenas.
sempre.

entristecidos pelas ausências e pelo silêncio,
onde havia as vozes de nossos iguais.
aguardamos o momento posterior ao último.

um vazio.
uma vontade de desistir que se
redundaria.

não sei.

os que foram nos levaram antes do tempo
alguns fragmentos.

há dor
e um silêncio imenso dentro
de todos os sons.


3


sofrido e triste trêmulo, irmão
alguém veio nos últimos restos da madrugada
lembrar-me as anteriores quedas

(de todos)

reencontrei as graves e ingênuas aventuras
havia em nós a angústia por sermos
finalmente vôo sem corpo

(não me reergui da última queda)

vi um seu vôo noite dessas
sobre aqueles que ainda tristes e trêmulos
nem mesmo se vêem ou se sabem
num corpo

(sofrido pássaro seus vôos cada vez menos sofridos)


4

estranha face que me ronda o sono
entende-me mais que eu mesmo?
Desate, então, os nós
desta corda que com palavras
forjei e permiti o abraço
conseguiremos compreender o resultado
da premonição, se ela vier?
Quando surgir como um sopro
não estarei pronto ainda
dê-me alguns segundos
dê-me por breves minha respiração
(depois será sua)
(e eu parte de seu sopro)



5

é como se não importasse mais:
que as palavras venham toscas,
que as manhãs não venham,
que as águas se repitam
não importa.
desconhecida, os portais são nossos?
são nossas as marcas sobre os rios?
(não há riso ou alguma lágrima

6

o velho que fui
aos poucos desfalece
e em meu lugar
nasço eu
nasço eu em meio
aos escombros
e anseios meus

7
naquele cesto
um vazio
os que esperavam o pão do
milagre exasperaram-se
mas eu que em minha
desesperança
esperava escorpiões
aliviei-me
( um vago nas mãos pedindo )
as mãos no alívio
do peso ambíguo

8

pai, irmão, amigos: saudade, reencontro, encontro;
irmão, amigos, pai: direi, digo, não disse;
amigos, pai, irmão: aventura, aprendizado, caminhada;
pai, amigos, irmão: perdoe-me, abracem-me, compreenda-me;
irmão, pai, amigos: espelho, silêncio, viandantes;
amigos, irmão, pai: poucos, um, se eu pudesse voltar no tempo deixaria claro meu amor mesmo que o seu continuasse discreto e implícito, somente, na severidade amorosa imposta pela dureza e pelos percalços da vida, no exemplo e nas palavras poucas na lágrima escondida tal qual a minha.
Ah, se pudesse seria o menino no colo ou enlaçado nas pernas, seria o homem que se calaria mesmo quando o orgulho dissesse ter a razão, gritasse, batesse as portas. Seria o homem que não se calaria por medo de não ser o filho perfeito, adequado e, diria mesmo não tendo resposta apenas a sincera e amável verdade, de forma suave. Seria a criança, o homem que semelhante não mais se afastaria por causa dos conflitos e distâncias que têm os iguais.

Claudio A. L. Araújo, nasceu em Goiânia é formado em Artes Visuais pela Universidade federal de Goiás - UFG e em Direito na Universidade Católica de Goiás - UCG. Servidor Público Federal – TRT.

gynmacktub@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

Web designer-Edson Souza