Três
poemas de Tatiana Monteiro
Um
anjo
Há sempre um bom anjo à nossa volta,
Seja em todo e qualquer momento,
Com ódio, rancor, maldade e revolta,
Ele resguarda todo o nosso sofrimento.
Ele sofre
conosco e suas asas caem,
Ajoelha-se por nós e por nós intercede,
Quando nossas forças físicas se esvaem,
Ajuda a outro anjo ele também pede.
Ele sempre
nos guarda, mesmo sem as asas,
Quando parecemos estar ilhados e perdidos,
Aquece com amizade o nosso coração em brasas,
Partiram-se suas asas, mas não os sentidos.
Em algum
grande momento de despreparo,
Grito sem dó e nenhuma outra piedade,
Com sua linda e simples voz me deparo,
"Não tenho asas, mas ofereço amizade".
À
medida que o tempo passa eu o acompanho,
Vejo seu desvelo, sua simples humildade,
Parece que vejo o despertar de um sonho,
Aprendo com um anjo um pouco de caridade.
Minha casta
esperança que não mais existia,
Vejo em asas que não imaginava mais crescer,
Quando a luz do sol vem e me irradia,
Decido por mim em não desistir e vencer.
"Eu
já fui um anjo de asas partidas,
Orgulho ferido, maldade sem nenhum dó,
Encontrei você, curou minhas feridas,
Mesmo que não veja, nunca deixarei você só".
Rascunhos de dor
Hoje dizer-me infeliz é totalmente injusto,
Hoje sinto-me outra pessoa quando cerro os punhos,
quero ver meus amigos felizes a todo custo,
Enquanto aos poucos escrevo meus rascunhos...
Sou fogo,
terra, água, ar, conjunção astral,
Estrela do abismo, trilha de amor sem fim,
Não respiro, você é meu bem, é meu mal,
Nunca pensei que as coisas fossem assim...
Escrevendo
meus rascunhos aqui,
Vejo a vida gerada no ventre do amor,
Rascunhos com idas e vindas de mim,
Sou seu papel, seus rascunhos de dor...
Quando as palavras se perdem
Nada deverá mudar o verdadeiro sentido de uma vida,
No silêncio, até as nossas poucas palavras se perdem,
Todos se encontram como uma pequena ilha perdida,
De tudo o que deve ser dito as palavras se esquecem...
As palavras
se perdem e à nossa volta tudo se clareia,
Tudo se torna inexpressivo, incompreendido e sem sentido,
Aos poucos sentimos que o sangue esvai de nossa veia,
Tudo permanece, mas o que é mau deve ser esquecido...
Não,
as palavras não se perdem, elas apenas se calam,
Elas ficam a sós, procuram dentro de si sua estrela-guia,
Calam-se, guardando somente para si o perfume que exalam,
Apenas nos dizem: o silêncio sempre algo nos irradia...
As palavras
não se perdem, nós que as perdemos,
Elas esperam ser ditas, aguardam o momento certo,
E em muitos momentos, delas nós nos esquecemos,
Tudo está tão longe, enquanto parece tudo perto...
Não,
as palavras não se perdem, elas não se calam,
Elas não ferem, não machucam e nem sofrem...
São as pessoas que as deixam, elas não falam,
E todos dão desculpas que as palavras se perdem...
Quando
as palavras se perdem, nós nos perdemos,
Quanto a tudo isso, nós deveríamos ser realistas,
Ao acontecer isso, nós apenas nos esquecemos
De que existem palavras e elas esperam ser ditas...
Tatiana Monteiro Costa, 28 anos, natural de São Fidélis-RJ,
licenciada temporariamente do serviço de área financeira,
é idealizadora e mantenedora do Portal de Cultura Prosa em Verso
.
Segundo diz “busca trazer em seus escritos um pouco da vida, um
pouco do amor, um pouco de tudo: especialmente transmitir ao mundo um
pouco de paz em meio ao turbilhão e tormentos”. Participou
da 2a. Antologia dos Poetas Virtuais, idealizado por Magali Oliveira.