Escrituras Editora lança novo livro
Ninguém faz sucesso sozinho
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Além do Espelho, o Corpo, o que é Perene
A Poesia de Maiara Gouveia
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Rodrigo Petronio e Maiara Gouveia lançam livros em São Paulo
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Livro de Maria Nazareth Soares Fonseca
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As Iluminações de Zenóbia
José Aloise Bahia *
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Poeta fugaz, hipnotizado pela luz azul da lua
José Aloise Bahia*
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O SAL DAS ROSAS
Márcio Davie Claudino
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Abismo de uma
realidade sem saídas
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Novela de memórias: um pedaço de mim
Por Omar L. de Barros Filho
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Rodrigo Petronio e Maiara Gouveia lançam livros em São Paulo

A Editora Topbooks e Edições Rumi promovem dia 10 de setembro de 2009 um lançamento duplo no restaurante japonês Wakai (Rua Fernando Albuquerque, 166) em São Paulo dois autores importantes: Rodrigo Petronio com Venho de um País Selvagem e Maira Gouveia: Pleno Deserto, coletânea de poemas.
Rodrigo Petronio nasceu em 1975, em São Paulo. É editor, escritor e professor. Formado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP. Professor do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC), professor-coordenador do Centro de Estudos Cavalo Azul, fundado pela poeta Dora Ferreira da Silva, e coordenador de grupos de leitura do Instituto Fernand Braudel. Trabalha no mercado editorial há mais de dez anos e colabora para diversos veículos da imprensa. Recebeu prêmios nacionais e internacionais nas categorias poesia, prosa de ficção e ensaio. Tem poemas, contos e ensaios publicados em revistas nacionais e estrangeiras. Participou de encontros de escritores em instituições brasileiras e em Portugal.
É autor dos livros História Natural (poemas, 2000), Transversal do Tempo (ensaios, 2002) e Assinatura do Sol (poemas, 2005), este último publicado em Portugal, e organizou com a poeta Rosa Alice Branco o livro Animal Olhar (Escrituras, 2005), primeira antologia do poeta português António Ramos Rosa publicada no Brasil. É membro do conselho editorial da revista de filosofia, cultura e literatura Nova Águia (Lisboa). Lançou, pela editora A Girafa, o livro de poemas Pedra de Luz, finalista do Prêmio Jabuti 2006. Foi congratulado com o Prêmio Nacional ALB/Braskem de 2007, com a obra Venho de um País Selvagem, publicada em abril de 2009.
Maiara Gouveia nasceu em 1983, em São Paulo. É poeta e estudiosa de literatura, com trabalho desenvolvido na Universidade de São Paulo sobre a obra de Cesário Verde. Seus poemas e artigos sobre cinema e literatura estão em diversos sites, revistas e jornais. Em 2006, foi finalista do Prêmio Nascente − USP, com o livro de poemas O Silêncio Encantado. A obra inaugural sofreu alterações e hoje se chama Pleno Deserto e encontra-se no prelo. Mantém o blog A Certeza de Fazer o Mal (http://maiaragouveia.blogspot.com).
maiaragouveia@gmail.com
Na sequencia Alfredo Fressia fala sobre o livro do Rodrigo e ele, Rodrigo escreve sobre o Pleno Deserto da Maiara Gouveia.
Venho de um pais selvagem
Alfredo Fressia

Rodrigo Petronio nasceu em São Paulo em 1975, dizem as fichas biográficas, mas é claro que ele vem “de um país selvagem”, um país definitivamente poético e certamente não contaminado pela prosa. Desse país já havia registro nos seus livros anteriores: História natural (São Paulo, 2000), Assinatura do Sol (Lisboa, 2005), Pedra de Luz (São Paulo, 2005). É de fato um país onde só um poeta inspirado, em pleno domínio da linguagem, mas também tomado por ela, poderia ser capaz de perder-se e de se reencontrar em cada poema, como em cada passo da aventura humana no Universo. Nem rousseauniano nem junguiano, Petronio não aceita formular hipóteses nem recorrer a símbolos nem a teses.
Antes nomeia os elementos primeiros, a vida e a morte, os ancestrais interrogantes, os deuses que o habitam, a adivinhação nossa de cada amanhecer, o milagre da eternidade e o desafio do fim. Ele é neste livro um poeta para quem o amor propiciou este retorno ao magma de onde tudo surge e que se situa num território nas antípodas do caos. Neste mundo ordenado há avós, há um pai, há uma mulher amada – amada até esvaziar o próprio ser –, mas a aventura permanece de todos nós, é a aventura humana, e por isso ele cria uma poesia generosa, que inclui o leitor, que conta com ele, que se recusa a existir fora dele.
Sem dúvida, a lógica desta poesia, ou da poesia tout court, leva “nossos passos sobre a terra, entre as algas”. A preposição “entre” deveria ser a mais reiterada nesta série que nos situa na certeza de estar numa viagem perpétua, sempre num “ir para”, ainda que não existam o acima e o abaixo, os centro e as beiras, uma viagem que deve guiar-se sempre por palavras entreouvidas, por golpes de intuição e destruindo sem piedade as falsas verdades da prosa, de um saber “sensato” que nos é imposto como um lastro que nos impede o vôo, esse que era o nosso único destino e que Petronio reencontra para nós na poesia. Porque ela está além dos pequenos paradoxos dessa sensata razão imposta, e por isso nos permite ver o mundo a partir de um grau zero, ou de um grau novo, ou de um grau velhíssimo, imemorial como a água, como o pássaro, como o amor ou como os deuses.
Porventura alguém poderia se surpreender que um pensador como Petronio, que expôs suas idéias filosóficas num livro tão erudito como Transversal do tempo (Recife, 2002), um homem com uma sólida formação acadêmica em Filosofia e Letras, com anos de ensino e vários cursos, que um intelectual desse naipe encontre na poesia a forma mais precisa de conhecimento, e que essa forma de conhecimento seja tão diferente dos sabidos procedimentos acadêmicos? Talvez o diálogo que este livro estabelece com a poesia de Dora Ferreira da Silva – a quem o poeta dedica um dos mais belos poemas da série – explique que possam conviver nele o filósofo que reflete sobre a epistemologia e o poeta que se entrega a nós com sua verdade mais profunda e paradoxal, nessa lógica “não-euclidiana” e de ângulos inesperados que é a da poesia, onde tudo deve ser reinventado, absoluta e eterna como as carpas negras do tempo.
Alfredo Fressia nasceu em Montevidéu, em 1948. Reside em São Paulo desde 1976. É poeta, em língua espanhola, e crítico, colaborador das revistas virtuais Agulha e Banda hispânica, correspondente cultural do
Jornal El País de Montevidéu. Leia mais sobre ele neste link:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/afressia.html
afress@uol.com.br
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