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- No caminho com Raymundo Rolim
__________________
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No
Caminho com Raymundo Rolim
De
nome Raymundo Filho
Bárbara
Lia: Lendo recentemente o livro – Pitágoras
e a Harmonia das Esferas – da escritora francesa Simonne
Jacquemard, ela destaca a importância primordial da música
entre os Pitagóricos. Pitágoras saia na noite para ouvir
a sinfonia das esferas e maravilhava-se com o som de milhares de abelhas
sobre as tílias em flor. Mesmo o som das palavras é música.
Não tenho formação musical, no entanto, amo música
como todos... O que a música significa para Raymundo? Como nascem
as suas composições? 2.No
meio do caminho tinha um cesto de pedras
Bárbara Lia: Como você trafega interiormente entre a poesia e a música? Qual o papel que a literatura ocupa em sua vida? Você integrou a bela Coletânea Bife Sujo e publicou o livro Então o amor vem e te ama pela Fundação Cultural de Curitiba. Você tem planos para novos livros em prosa ou verso? Raymundo Rolim: Bem, em matéria de juízo eu nunca fui muito bom, quero dizer de ter juízo. Tão e tal ignorante ainda me sinto e o meu desconhecimento sobre as coisas é ainda maior. Esses dias vi na internet que o Hubble fez umas fotos... Só numa galáxia há oitocentos bilhões de sóis. O que eu posso querer? Claro que essa galáxia é minha. Amei a foto. Então, a literatura é o meio pelo qual eu gostaria de me expressar quando não mais tiver juízo-vou falar todas as tranqueiras que nunca ousei... Estou aí com um livro de contos (me diverti muito escrevendo e ri muito mesmo – pra isso que serviu pra eu me rir...) o livro ta prontinho só falta fazer - isto é, mandar para alguma editora. E as poesias, bem, as poesias ou as letras das músicas, eu as como com farinha e cachaça morreteana- fazem parte da minha dieta distinta.
4. "Chapéu velho" e "Pé na estrada" Bárbara Lia: Ter um parceiro é dividir o caminho. Na sua trajetória musical e poética por quantos caminhos você caminhou ao lado? E com quem? O que aprendeu nestas “viagens”? Raymundo Rolim - Aprendi que navegar é preciso mesmo e que a vida é mais curta do que a gente quer ou precisa... Mas também é longa o suficiente para que possamos cometer um numero incalculável de bobagens e depois termos uma galáxia pra aprender a contar seus sóis e uma eternidade pra nos redimir.... E ainda tem umas pessoas que dizem que a gente acumula o tal do Karma... - Virgem Maria três veiz – quem é que agüenta com tanta idiossincrasia?Nem o papa se segura. É melhor falar baixinho e pensar amenidades alhures. Tenho alguns parceiros musicais sim... um melhor e mais maravilhoso que outro ... desde meu irmão Rubem, Eliane Bastos minha amiga e grande cantora ...(que compõe também grego) até Michel Butnariu, o lindo que é o Serginho Natureza, Hilton Barcellos, Ivan Avi, Ricardo Petracca, Ih, to ficando velho ...tô esquecendo mais de duzentos parceiros... seus nomes e datas de aniversário .... e aprendi nessas viagens que um bom parceiro ou parceira faz toda a diferença .... a gente pode querer ir até próximo a pauta ou o pentagrama ou se embrenhar nos braços da eternidade e depois inventar uma bobagenzinha qualquer para se redimir .... de qualquer besteirinha ...
Bárbara Lia: Atualmente você vive em uma cidade serrana – Morretes – Rio Nhundiaquara no fundo do quintal, orquestra de pássaros, uma porção de cães ao redor. E o mundo mergulhado – talvez tardiamente - na questão ambiental. Como o poeta vê, pensa e age quanto a este tema?
Raymundo Rolim por Raymundo Rolim Gosto
de samba, de valsa de tango e bolero... Gosto da noite do dia... Da chuva
e do sol... Gosto de gente amo os bichos... Gosto de frevo e maracatu...
Baião só se for de dois... Xaxado e xote... Gosto do rock
e das baladas... De música de raiz... De moda de viola, e amo os
meus amigos, mas eles pouco sabem disso e também não sabem
que são meus amigos, e que sem eles eu também não
quero ficar mais aqui. Podem acertar as contas e vamos para outro boteco,
pois a festa continua... Ou para outro templo, desde que seja a gente
mesmo... Pois a grande viagem é a pessoal aquilo que na gente faz
da gente... Com a gente. Oh, meu Deus! Vamos passear comigo? Eu te levo
prum cantinho e canto uma moda pra tu, e te mostro os meus cachorros e
meu violão e o sonho que sonhei antes mesmo de nascer ... E se
tu te comportares mostro-te uma lágrima minha, que herdei de minha
mãe e uma ruindade danada que peguei de meu pai. Vamos, te comportes...
Que eu te levo passear. Ah, te mostro também o ninho da Curruíra
que já ta chocando ovinhos e onde enterrei Praiana, a Cã
que achei na praia e me ensinou a amar, e me deu uma canção...
Nem te conto de meus amores... Tu o sabes! Posso também dividir
os beija-flores contigo... E as borboletas e o Nhundiquara e a Jaqueira
e os insetos... Raymundo
Rolim- Poeta, compositor, autor de teatro. Graduou-se em filosofia
pela Universidade Federal do Paraná. Em 1992 gravou o primeiro
disco, com quatro composições de sua autoria em São
Paulo, acompanhado de músicos da Banda Mantiqueira.
Autor de peças de teatro, com destaque para o musical Ópera
da cidade (1995), é membro fundador da Associação
dos Compositores do Estado do Paraná e coordenador administrativo
da TV Comunitária. Lançou em 1996, pelo selo RB
Music, o CD Coletânea no qual incluiu
catorze composições de sua autoria. Compôs entre outras:
Apronto; Chapéu velho (c/ Sergio Natureza); De
Raymundo pra Raymundo; Fado breve; Fica mais comigo; Ilha do sul; Isabel
& Zabelê; Juan y Maria; Má notícia; Negócio
da China; O melhor do amor; Outra modinha; Pé-de-rosa; Play; Venho
de mim. Links
para canções de Raymundo Rolim:
Contato:
1.
Fragmento da canção – De Raymundo para Raymundo Bárbara Lia é professora de História e escritora. Vive em Curitiba. Livros publicados: O sorriso de Leonardo (Kafka ed. - 2.004), Noir (ed. do autor – 2.006), O sal das rosas (Lumme editor – 2.007), A última chuva (ME – ed. alternativas – MG – 2.007). Solidão Calcinada (Romance) - em fase de edição na Imprensa Oficial do Paraná, através da Secretaria. do Estado da Cultura. Blog:
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Jornalista Ana Lucia Vasconcelos Web designer-Edson Souza
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