Home Literatura Livros Musica Artes Plasticas Dança Teatro Ópera
Cinema Fotografia Saúde Integral Cultura Espiritualidade Aparições Revelações Contato

 

Os florais de Bach
e outras essencias

__________________

Método revolucionário de
abordagem corporal

__________________


Origem e exercícios das práticas corporais do
Lian Gong, Tai Ji Qi Gong, Oi Gong, Xian Gong, Zhu Yen Shu, Yi Jin Jing e Ba Duan Jing

__________________

Voltar

Método revolucionário de
abordagem corporal

Ana Lúcia Vasconcelos


Médico especializado em doenças relacionadas ao sistema postural e enfermidades reumáticas, psicanalista, Eduardo Marchevsky, argentino, é criador da metodologia denominada Manipulação Profunda Senso Perceptiva (MPS)- abordagem corporal pela qual se chega às massas musculares profundas em busca da correção traumática dos problemas posturais, considerando-se a postura como emergente bio-psico-social. Eduardo conta que chegou a esta técnica depois de muita pesquisa e principalmente após verificar que havia uma divisão bem nítida nos métodos utilizados pela psicanálise e em terapias corporais. Enquanto a primeira faz uso apenas do verbal para a cura, as segundas utilizam o contato corporal, dispensando a palavra. Refletindo sobre isso, ele começou a pesquisar um tipo de manobra e descobriu que o contato corporal aliado às propostas verbais sugeridas ao paciente durante o referido contato, faz com que ele (o paciente) use sua imaginação para a distensão das fibras musculares comprometidas no ponto sintomal em que se trabalha.“As manobras não são invasoras, pois esta metodologia permite o despertar da sensibilidade do paciente, implicando participação ativa dele. O terapeuta não adota uma posição de poder, modificando o corpo. Apenas acompanha, através do contato corporal, a abertura do corpo do paciente, que ele mesmo propicia, através das sensações, promovendo desta forma, modificações estruturais.”
Eduardo acredita que a história da pessoa desenha seu próprio corpo, corpo dramático que envolve o sujeito que sofre. O sintoma corporal atua como uma máscara que sempre dissimula em si a trama que a conforma. “No corpo enfermo está mascarada a própria trama conflitiva”. Desde que criou a MPS, Eduardo divulga esta metodologia em congressos de psicomotricidade, kinesiologia, fisioterapia respiratória, saúde integral e terapias alternativas de que tem participado tanto na Argentina como no Brasil. Aliás, aqui no nosso país Eduardo esteve diversas vezes como professor convidado do Centro de Estudos da Consciência da Unicamp, e do Instituto Junguiano de São Paulo entre outros. Eu o entrevistei em Campinas quando veio para realizar cursos nesta cidade e em São Paulo onde têm discípulos pondo em prática sua metodologia. Nesta entrevista Eduardo Marchevsky expõe seu revolucionário MPS e sua filosofia de trabalho.

Terapia corporal envolve
filosofia de vida

P. O que o senhor chama de terapia corporal? Qual seriam as características de uma terapia corporal? A acupuntura é para o senhor um tipo de terapia corporal? E a yoga? E o do in e outras técnicas de cura? Por favor, compare algumas dessas terapias e detalhe no que seu método é diferente?

Eduardo Marchevsky- É preciso fazer uma distinção: uma coisa são técnicas e outra bem diferente são terapias. Não acredito que uma técnica possa esgotar uma função terapêutica já que uma função terapêutica vai além da técnica utilizada como instrumento. A função terapêutica tem a ver com o compromisso do terapeuta, como ele põe em jogo suas sensações, como ele expõe suas emoções. Digamos que o status de terapeuta não se adquire por meio de títulos de médico ou de psicólogo. O terapeuta adquire status quando coloca suas próprias emoções em jogo. Inclusive ele não tem o direito de poder sobre seus pacientes, apenas interpreta o que lê nele. Sua função é deixar-se interpretar por uma situação que é impactante tanto para o paciente como para o terapeuta. Neste sentido dizemos que a interpretação não é algo determinado, dirigido, mas algo que surpreende tanto o paciente quanto o terapeuta. Quando a terapia deixa de ser a aventura de permanentes surpresas e imprevistos não há tratamento, há pacto. Não critico as técnicas, mas os homens que as aplicam, já que a terapia corporal envolve e inclui uma filosofia de vida. Não existe digamos, o desdobramento entre o terapeuta em seu consultório e ele em sua vida social. Ele deve ser simples, sem máscara, sensível e humilde em todas as horas. E isso implica que ele promova suas sensações ao mesmo tempo que promove as sensações do paciente. É do desencaixe das sensações do terapeuta e do paciente que se movimenta o tratamento. Penso que é exatamente em cima dessas descontinuidades, dessas diferenças, desses contrastes que a terapia se baseia. Geralmente o paciente traz um sintoma para que alguém tome conta dele.

Sintoma é conflito
corporificado


P.- Tome conta do sintoma, o senhor quer dizer?

E.M. - Exatamente, porque o sintoma é a forma pela qual se corporifica um determinado conflito por ser insuportável e desconhecido. Em outras palavras, quando alguma coisa que se desconhece, um conflito fica insuportável, ele se expressa através de um sintoma corporal. Se o terapeuta fica complacente e busca ele mesmo tomar o sintoma do paciente para seduzi-lo, retê-lo, ele entra em cumplicidade com o paciente onde nenhum dos dois joga suas autênticas sensações, suas verdadeiras sensações, entrando ao contrário, num jogo de fascínio, de fantasia, de magia e onde não é possível haver efeitos terapêuticos. Para que haja efeitos terapêuticos a paciente precisa, ele mesmo assumir-se como sintoma. Se ele se assume como sintoma vai poder se encontrar com aquele desconhecido que está subjacente ao sintoma. Para isso precisamos de terapeutas que não entrem em cumplicidade, que suportem o fato de não saber o que se passa no outro, que possam propor um trabalho de investigação, de pesquisa, e não diagnósticos que sirvam para classificar o paciente, baixando o nível de angústia do não saber do terapeuta. É preciso dizer a verdade, propor um trabalho de pesquisa, entrar na aventura do tratamento. Por isso, seja a acupuntura, seja do in, seja shiatsu, seja MPS, se as técnicas não utilizam de uma determinada filosofia de trabalho que se sustente no compromisso com as próprias sensações, não é uma terapia.

Abordagem corporal
com orientação psicanalítica


P.- E como o senhor chegou a criar este conjunto de procedimentos que chama de Manipulação Profunda Senso Perceptiva ou MPS?

E.M.- A MPS é uma técnica de abordagem corporal com orientação psicanalítica para tratar alterações musculo-esqueléticas, reumatológicas e neurológicas e do sistema postural. Cheguei a ele depois de alguns anos atuando como médico alopata e psicanalista e constatando que os remédios não faziam efeito e principalmente porque a medicina ortodoxa não via a pessoa como ser integral. Via apenas o seu físico, ignorando seu lado emocional e os conflitos que aparecem como sintomas corporais. E fui então pesquisando e experimentado e estou nisso há mais vinte anos, mas não creio que tenha criado a terapia. Apenas encontrei através da pesquisa e continuo encontrando coisas novas porque não parei de investigar.

P.- Sim, mas houve um momento de ruptura em que o senhor resolveu testar seu próprio método. Como ocorreu isso?

E.M. - Comecei a trabalhar com pacientes com terapia corporal e fui propondo que eles tivessem um papel ativo ao mesmo tempo que ia desenvolvendo técnicas não invasoras ou seja, aquelas em que se respeita o tempo do paciente. Isso porque considero algumas técnicas invasoras e homeostáticas que não permitem que o paciente assuma seu sintoma. Em seguida integrei a psicanálise ao trabalho e a verbalização das sensações corporais que afloram com o MPS. Digamos que quebramos um velho preconceito que diz que a psicanálise não toca o paciente, ao mesmo tempo que as terapias corporais não trabalham com verbalização.


P.- O senhor diz que uma realidade corporal é um processo dinâmico que se transforma sempre e que é resultado daquilo que somos e que nunca terminamos de ser, pois o contrário significaria a morte. O senhor diria que as emoções, as contingências do dia a dia, a própria vida fluindo e dando infinitos resultados vão marcando o nosso corpo e por isso nossa realidade corporal se ressente disso? As frustrações, os medos vão deixando marcas, e a terapia corporal podem recuperar nossa realidade corporal?


E.M. - O que existe para mim é a corporeidade ao infinito que se vai fazendo como condensações de inter-relações de forças. Por exemplo, você tem uma dor de cabeça, e então é impedido por ela, ela está fora do seu controle. Neste momento uma determinada relação de forças toma corpo através de um sintoma corporal. Quando tentamos dar forma a estas forças que estão em permanente movimento acabamos dando um nome a elas: chamamos de inconsciente. Inconsciente é, portanto o não conhecido, o não acontecido, o não vivido. E aquilo que é desconhecido só pode apresentar-se, materializar-se através do corporal. Portanto a postura corporal é a máscara geral, sob a qual está subjacente a essência do ser. E agora respondendo a sua pergunta: o que faz a contração muscular não é o vivido, o chorado. É o não vivido, o não conhecido. Aquilo que não é conhecido e que não foi vivido como presente, tampouco é passado, mas está representado no corpo, subjacente ao tônus muscular.

P.-E seu trabalho consiste então exatamente em fazer o paciente tomar consciência desse desconhecido fazendo-o verbalizar as sensações que sente ao ser tocado em determinados pontos, e tornando portanto conhecido o conflito?
E.M.- Eu trabalho o sintoma corporal para que o paciente possa colocar em palavras aquelas sensações despertadas pelo trabalho no próprio sintoma. Digamos que faço o sintoma falar através da pessoa. Por exemplo, recentemente um paciente meu apareceu com uma dor nas costas e trabalhei com MPS. Ao pedir para que ele verbalizasse suas sensações depois do trabalho corporal ele disse que tinha podido distender seu corpo e que a dor passara e que se dava conta que estava “segurando alguma coisa”. Perguntei por que ele segurava alguma coisa. Respondeu que não sabia, mas logo descobriu que eram suas próprias sensações que ele estava “segurando” e teve esta sensação ao “abrir” seu corpo. Começamos a trabalhar em cima do que acontecia com seu prazer e ele constatou não suportar o prazer daí ter usado o sintoma como máscara. Por isso é preciso deixar que o sintoma fale. Talvez a grande novidade do tratamento seja a união do trabalho corporal e a psicanalítico englobado numa filosofia de trabalho que vê o homem como um ser integral.


Sintoma aparece
como coisa fora do corpo


P.-Porque apenas o toque não é suficiente, mas a verbalização é necessária?

E.M. - Porque o toque pode ser homeostático, ou seja, aquilo que o paciente precisa para se iludir e não assumir seu sintoma , pode ser apenas um relaxamento comum, sem nenhum tipo de elaboração, de reconhecimento do que acontece no trabalho corporal.

P.- E o que chama de exacorpo? O que é exatamente?


E.M. - O que se propõe como exterioridade no sintoma corporal. O paciente diz: o braço me dói e não, estou doendo através do meu braço. O sintoma se apresenta como exacorpo, ou seja, como coisa fora do seu corpo, porque sempre o paciente manifesta como algo fora dele. “Esta dor de cabeça me deixa louco.”

P.-Outros dois termos usados pelo senhor são: esquema corporal e corporeidade. Poderia definí-los, por favor.

E.M. - Tudo o que torna o corpo rígido, armado, estagnado, esquematizado é sintoma. Por conseguinte falar de um esquema corporal é falar dentro de um campo sintomal, já que não podemos encapsular a corporeidade como esquema. Assim corporeidade para mim são estalidos de sensações difusas e instáveis ao infinito que se materializam em forma corpórea. O corpo é um processo dinâmico que muda a cada segundo, ou cada fração de segundo. É aquilo que Heráclito disse: eu não entro duas vezes no mesmo rio por que o rio mudou e eu também. Meu corpo é diferente a cada minuto. Inclusive quando, através de um sintoma o corpo parece ser o mesmo podemos comprovar que, ao contrário, cada vez vai haver diferentes modos de expressar o mesmo sintoma.

P.- Qual seria então o objetivo desta sua metodologia de abordagem corporal e psicanalítica, através da técnica MPS?

E.M. Que as pessoas se conhecendo a si mesmas e conhecendo as diferentes facetas da sua personalidade possam suportar-se a si mesmas nos momentos de fantasia, de desamparo ou solidão para poder gozar intensamente os momentos de prazer e felicidade. O que ocorre em geral é que, para tapar as sensações de solidão, instabilidade, insegurança, nós nos colocamos num plano de fantasia para fugir. Mas fazendo isso, não sabemos que também perdemos a essência sensivel de vivenciar os momentos prazerosos. Em síntese, não se pode baixar a cortina às sensações insuportáveis e deixá-la aberta para as sensações prazerosas, porque quando a pessoa se torna insensível a uma coisa, ela fica insensível para tudo. Não se pode reprimir uma sensação sem reprimir outra. Assim quando ela reprime qualquer coisa ela reprime nada menos que o mundo sensível. O efeito terapêutico é que o paciente fique dono de suas sensações e as vivencie, sejam elas agradáveis ou não. É preciso, por exemplo, aprender a gozar a própria solidão.

P-. Gostaria que contasse suas experiências com esta técnica, que tipo de doenças tinham os pacientes que o senhor tratou com a MPS?

E.M. - Eram pacientes com artrite reumatóide que frearam seus processos de enfermidade.

P.- E que outras patologias podem ser tratadas com a MPS?

E.M. - Atualmente minha mulher, Maria Del Carmem Gracia, que é médica psicomotricista e fonoaudióloga, além de psicanalista está desenvolvendo pesquisas em neurologia e obtendo resultados revolucionários em hemiplégicos e afásicos (pessoas com distorções de linguagem) conseguindo a recuperação da motricidade e da sensibilidade em casos considerados irrecuperáveis pela medicina ortodoxa. Assim também se tem obtido a recuperação da fala em afásicos através do trabalho corporal. Eu particularmente tenho trabalhado em sistemas posturais no qual me especializei e enfermidades musculo-esqueléticas como miopatias com excelentes resultados. Em todos os casos tenho conseguido frear o processo de auto destrutividade.

P.- Sei que o senhor tem participado de vários congressos no Brasil e tem aqui vários discípulos trabalhando com sua metodologia em São Paulo e Campinas. Por que escolheu o Brasil para divulgar seu trabalho?

E.M. - Na verdade não escolhi deliberadamente, apenas vim para cá em 1985 do 1o. Congresso Internacional do Corpo no Rio de Janeiro onde apresentei meu trabalho. Aí as coisas foram acontecendo. Comecei a realizar palestras. De qualquer forma, tinha a idéia que aqui no Brasil as pessoas são mais abertas no diz respeito ao corpo, mais receptivas a idéias novas e de fato ao longo desses anos comprovei isso. Além disso, existe aquela velha lenda segundo a qual ninguém é profeta em sua própria terra.

 


 

 

 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

Web designer-Edson Souza