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Desconhecidos peça de Dionísio Neto:
uma peça dentro da peça
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Boa Companhia ocupa o
Teatro Eugenio Kusnet em São Paulo

Há um mês em temporada no Teatro de Arena Eugenio Kusnet, em São Paulo, com a ocupação O Lobo do Homem, a Boa Companhia estreou dia 2 de julho a peça a Portela, Patrão; Mário, Motorista que ficará em cartaz até 21 de agosto de 2010 sempre às sextas e sábados, às 21h. Influenciada pelas gravuras Os Caprichos, de Goya, a peça tem visual soturno e humor sarcástico, e procura traduzir a crueldade do mundo contemporâneo e suas relações com o poder do capital. Mas ocupação O Lobo do Homem seguirá até 22 de agosto, com a apresentação também dos espetáculos Primus e Cartas do Paraíso a preços acessíveis e uma oficina gratuita.
No elenco de Portela, Patrão; Mário Motorista estão Daves Otani e Eduardo Osorio, inspirados em Brecht, Chaplin, entre outras referências, que fazem uma reflexão sobre a relação patrão e empregado. Em meio a bonecos que compõem o cenário da peça, inspirados nos personagens animalescos que habitam as gravuras “Os Caprichos”, de Goya, dois homens, de realidades sociais distintas, se encontram no final de uma noite, num boteco. Este é o ponto de partida para uma reflexão sobre as relações humanas pautadas pelo dinheiro e pelo poder que dele advém. Portela tem na bebida uma espécie de antídoto para o seu coração frio de patrão, que se humaniza quando está embriagado. Mário, por sua vez, se aproveita das “escapadas alcoólicas” de seu patrão para agradá-lo e garantir seu emprego de motorista, neste mundo que parece aceitar todas as mazelas humanas, oriundas de uma sociedade excludente. Mundo esse, que se organiza em torno das relações de trabalho e que se deixa embriagar pela espetacularização da vida, repetindo modelos e comportamentos, onde encontramos Portelas, Mários e bebedeiras por toda parte.
O espetáculo foi contemplado pelo FICC – Fundo de Incentivos Culturais de Campinas no ano de 2009 e desde então se apresentou na programação do Festival do Instituto de Artes da Unicamp – FEIA 2010, na Mostra de Referências de Suzano (SP) e realizou a temporada no Ponto de Cultura Boa Companhia e Companhia Sarau.

Aos 18 anos de existência e com 18 espetáculos no currículo – dos quais quatro estão em cartaz – a Boa Companhia, com sede no distrito de Barão Geraldo, em Campinas (SP), em parceria com Fundação Nacional das Artes (Funarte), leva até o público paulistano a oportunidade de conferir três criações e a metodologia do grupo que é reconhecido nacional e internacionalmente pelo trabalho que valoriza a arte de ator e que extrapola as fronteiras entre teatro, dança e performance em montagens que partem de textos literários ou teatrais de autores como Qorpo Santo, Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, Franz Kafka e Samuel Beckett, entre outros, e têm em comum o inconformismo e a crítica ao poder.
O humano como reino da necessidade e não da liberdade é um dos questionamentos trazidos pelos três espetáculos presentes no evento: Primus, Cartas do Paraíso e Portela, Patrão; Mário, Motorista que abordam questões filosóficas relativas à superioridade do ser humano diante da natureza, os limites entre natureza e cultura, a necessidade de submissão e a consequente perda da liberdade para fazer parte do show da “civilização”. Vale ressaltar que o espetáculo Primus encerra as comemorações pelos seus dez anos em cartaz neste evento, no anseio de que tantos outros anos ainda estejam por vir.
Pesquisa da linguagem cênica
a partir do trabalho do ator
Com direção artística de Verônica Fabrini, a Boa Companhia atua desde 1992, tendo como proposta a pesquisa da linguagem cênica a partir do trabalho do ator. Formada por atores advindos da Faculdade de Artes Cênicas da UNICAMP, o grupo se dedica a montagens teatrais e performances como também à transmissão das linguagens trabalhadas em sala de ensaio por meio de oficinas para atores e não-atores. Com este intuito, a Boa Companhia norteia a sua atuação por meio da pesquisa continuada e do interesse em compartilhar suas experimentações como desdobramento didático e artístico e sua atuação através da pesquisa, intercâmbio e a férrea vontade de expandir os horizontes através da arte. Exibe um currículo eclético, com montagens que vão de Shakespeare a Qorpo Santo, passando por Nelson Rodrigues, Samuel Beckett além de adaptações de textos literários de autores como Guimarães Rosa e Franz Kafka. A partir de 1996, a companhia amplia a sua atuação, participando de eventos internacionais, como o Festival Internacional de Belo Horizonte: em julho de 1996, com Primeiras Estórias, no Seminário Internacional de Dramaturgia do Ator (julho de 1997 - Havana, CUBA – LOVE ME, Uma Poética Dos Sentidos).
Em 1998 a companhia realiza o workshop “Nelson em Londres”, na QMW University of London, sobre a dramaturgia de Nelson Rodrigues, assim como a apresentação de Dorotéia de Nelson Rodrigues e Love Me, no Harold Pinter Studio (Londres), além das performances de Rua Alaíde Morta e Ofélia Afogada. No mesmo ano o espetáculo Banquete é premiado como Melhor Espetáculo no III Festival Curta Teatro,espetáculo que participaria do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto e do Porto Alegre em Cena, ambos em 2002.

Em 1997 a Boa Companhia inaugura sua sede, o Útero de Venus local em que desenvolve suas idéias e onde apresentou ao longo do ano o repertório da companhia, além de palestras e workshops, atingindo um público interessado em tornar-se parceiro deste processo. Em 1998, BOA COMPANHIA, LUME, BARRACÃO TEATRO, SERES DE LUZ e COMPANHIA SARAU realizaram o evento “Tem Cena na Vila”, sucesso de público e crítica, contando com seis Edições. No ano de 1999, o grupo estreou o espetáculo Primus, baseado no conto Comunicação a Uma Academiade Franz Kafka com o qual participou de alguns dos principais festivais brasileiros de cunho internacional como o de Curitiba e Rio Preto; com temporada no Rio de Janeiro e São Paulo; da Mostra Contemporânea de Artes Cênicas do Teatro do Centro da Terra, patrocinada pela PETROBRÁS; do projeto Palco Giratório do SESC Nacional em 2002 percorrendo seis estados brasileiros e do Festival Internacional de Teatro de Erlangen – Alemanha).
Também da obra do escritor tcheco, a Boa Companhia tem em seu repertório o espetáculo Josefina a Cantora do Povo ou Povo dos Ratos na Mostra Contemporânea de Artes Cênicas do Teatro do Centro da Terra e Festival de Artes Cênicas SESC/Cariri). O repertório se completa com a performance musical A Dama e os Vagabundos (Festival de Artes Cênicas SESC/Cariri). No início de 2003 a Boa Companhia participa com Josefina, A Cantora do Festival Teatro A Mil, no Chile, obtendo enorme sucesso, tendo recebido convite para se apresentar no evento seguinte com a Trilogia Kafka. A participação no Festival Internacional de Erlangen rende convite para uma co-produção Brasil/Alemanha que completa a Trilogia Kafka da Boa Companhia; é uma livre adaptação do conto Um artista da Fome.

Em abril do mesmo ano é apresentado um ensaio aberto no INSTITUTO GOETHE- São Paulo, em evento realizado numa parceria Goethe/Boa Companhia e no Festival Arena-03, na Alemanha, MR. E Os Artistas da Fome quando recebe o Prêmio de Melhor Espetáculo eleito pelo Júri do 13º Internationale Woche des Jungen Theaters. Em 2005 o grupo estréia dois novos trabalhos: o espetáculo A Dama e os Vagabundos, inspirado em textos e músicas do imaginário que compõem a relação homem/mulher e Esperando Godot, baseado no texto clássico de Samuel Beckett, sob a direção de Marcelo Lazzaratto.

No mesmo ano o espetáculo Primusé apresentado no Centro de Convivência Culturale no Espaço Cultural CPFL, em Campinas, e convidado a fazer a abertura do Festival de Teatro de Lages, Santa Catarina. Participa também, juntamente com a peça Esperando Godot da inauguração do Teatro do SESC Santana, em São Paulo. No ano seguinte, Esperando Godot apresenta-se no Espaço Cultural da CPFL e noCentro de Convivência (Campinas/SP), nas unidades do SESC em Sorocaba, São José do Rio Preto e Santosalém de uma temporada realizada no SESC Ipiranga/SP. O espetáculo participa também do Porto Alegre em Cena. Ainda em 2006, Primus participa da Mostra de Referência Cênica, em Suzano/SP e é aprovado no Edital da Caixa Econômica Federal, realizando apresentações em Curitiba e Brasília. Mr. K e Os Artistas da Fome participam, no mês de outubro, em Berlin, do projeto Copa da Cultura Brasil x Alemanha, realizando duas apresentações e duas oficinas na capital alemã, com o patrocínio do Ministério da Cultura.
Em 2007, a Companhia comemora 15 anos em atividade e realiza a co-produção Brasil-Portugal com o Espaço Evoé de Lisboa, onde estréia o espetáculo Galeria 17. Além do novo espetáculo o grupo apresenta os espetáculos Esperando Godot e A Dama & Os Vagabundos e ministra três workshops, integrando a Bienal de Cultura Lusófona, no Centro Cultural Malaposta, na capital portuguesa. Regressando ao Brasil, o espetáculo Galeria 17 baseado no contoNa Galeria, de Franz Kafka, estréia sem o elenco português no Espaço Cultural CPFL, em junho, dentro das comemorações dos 15 anos da Boa Companhia. Nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano é realizada a Mostra Boa Companhia 15 Anos na sala Jardel Filho no Centro Cultural São Paulo, com apresentações dos espetáculos Primus, Esperando Godot, Galeria 17 e A Dama e os Vagabundos.

Em 2007 é contemplada como Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura e inicia ampla reforma em seu espaço de trabalho e prepara para o mês de setembro de 2008 a reinauguração do Útero de Vênus, em parceria com artistas convidados das áreas de teatro, música e performance.O evento Vaudavila marca o início de uma série de atividades ligadas à formação de público pretendida pelo grupo tais como apresentações, oficinas, palestras e workshops, viabilizados por recursos provenientes da Prefeitura Municipal de Campinas e do Ministério da Cultura. O convênio ainda em vigor, agora em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura.
No ano de 2009 Primus completa dez anos de atividades, comemorados com a participação no V Moscow International Festival of Student and Postgraduate Performances, além de realizar apresentações nas cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, com o patrocínio da Caixa Econômica Federal. Ainda em 2009, o grupo estréia Portela, Patrão; Mário, Motorista com temporada no Útero de Vênus, patrocinado pelo FICC-2009 (Fundo de Incentivos Culturais de Campinas) – espetáculo também apresentado na Mostra de Referências Teatrais de Suzano – e prepara estréia para 2010 do projeto Cartas do Paraiso, contemplado com o Prêmio FUNARTE Myriam Muniz de Teatro de 2008.
Saiba mais sobre A Boa Companhia neste link
http://boacompanhia.art.br/blog/
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