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 Fodorosvska uma comédia sobre a morte    é  novo espetáculo do Grupo Garagem 21

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Vítimas do sistema ou cruéis jogadores?
é a pergunta da peça A Noite dos Assassinos

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 Fodorosvska uma comédia sobre a morte
                                     é  novo espetáculo do Grupo Garagem 21

     Uma encenação sobre um homem que está morrendo é o principal evento da festa de comemoração dos 250 anos da Fábrica de Supositórios Brasil. Com esse mote, o grupo Garagem 21 apresenta Fodorovska, que estréia dia 4 de março, quinta-feira, às 22h30, no Espaço dos Satyros 2.

           Escrita e dirigida por Cesar Ribeiro, a montagem discorre sobre a relação contemporânea ocidental com a morte em uma época na qual cada vez mais a tecnologia é utilizada para diminuir as distâncias entre as sociedades. Mas, se por um lado o avanço tecnológico possibilita a diversidade e o acúmulo de informações, facilitando assim o processo de organização intelectual da realidade, por outro há a superficialidade na abordagem dos temas.

           Para refletir sobre esse assunto, o grupo novamente recorre à sua linguagem característica: uma mistura de referências que vão de quadrinhos e desenhos animados adultos a filmes de terror orientais e cineastas como David Lynch e Tim Burton, além de pensadores como Nietzsche, Foucault e Lipovetsky.


Um coelho (Ruth Souza) está sentado no canto do palco escrevendo o que deseja ser a grande obra literária da humanidade. Uma mulher (Nath Calan) ao fundo do palco dorme profundamente, somente despertando em alguns momentos para dizer a frase “Ich bin Gott” (Eu sou Deus, em alemão), que é seguida pelo gesto de saudação nazista. Duas velhas (Priscilla Maia e Keli Viacelli) procuram chegar a um lugar desconhecido, parando apenas em alguns momentos para tomar novo fôlego e seguir a caminhada; enquanto esperam, fofocam sobre as celebridades que acabaram de morrer. Dois enfermeiros (Bira Honorato e Sergio Silva Coelho) vestidos como açougueiros se divertem ao destratar seus pacientes.

         No centro de tudo isso, um homem (Paulo Campos) está morrendo. Deitado em uma maca em um lugar que mais parece um depósito do que um hospital, ele se vê cercado por todos esses seres estranhos enquanto busca um raciocínio que justifique sua vida e sua morte. Mas ele, apesar de ser o indivíduo mais próximo da normalidade nesse ambiente, é um falso pensador, que faz as perguntas certas para chegar a conclusões equivocadas. Por fim, morre sem encontrar respostas.

Após a morte, o público descobre que tudo a que estava assistindo não passa de uma encenação que faz parte das atividades de comemoração dos 250 anos da Fábrica de Supositórios Brasil. E para encerrar essa noite festiva ainda haverá um último número: a estrela pop do Quirguistão Sonja Fodorovska canta sua música mais internacionalmente conhecida: “I am blue. So blue. Blue. I am yellow. So yellow. Yellow. I am green. So green. Green. I am red. So red. Red”.

“O terremoto no Haiti mostra bem a dualidade que vivemos em nosso tempo. Se por um lado os meios tecnológicos trazem a informação e a partir dela a sociedade pode se organizar para colaborar com as vítimas, por outro a espetacularização da realidade faz com que todos os eventos tenham um impacto controlado por quem domina esses meios de informação, tanto que o que choca em relação ao Haiti são os números. Mas, se pararmos para olhar ao nosso lado, sem mediação, veremos que a tragédia acontece todos os dias sem que haja um aprofundamento e acompanhamento dessas realidades para que ocorra uma tomada de atitude”, resume Ribeiro.

Pesadelo moderno


“A chave da linguagem do grupo está em South Park, em Seinfeld, em desenhos como Uma Família da Pesada. É preciso saber olhar a realidade e criticá-la em seus infinitos pontos negativos, mas unindo certo grau de referências intelectuais a um formato que tenha a ver com nosso tempo: ultra-acelerado, excessivamente centrado na informação sem profundidade e totalmente ligado ao caráter mercadológico.”

         Com essa frase o diretor Cesar Ribeiro resume o processo de criação do grupo, que leva para o palco personagens e histórias que costumam fugir muito da visão estabelecida da realidade cotidiana. Recusando o naturalismo e o realismo, a opção sempre procurada é criar no palco uma espécie de pesadelo moderno, ligado a influências como clima de raves e danceterias, universo infantil (como o simbolizado pelo recorrente personagem do Coelho) e releitura do expressionismo.

Partindo desse princípio, são jogadas no caldeirão criações como as do filme Bicicletas de Belleville (interpretação e figurino), a obra de Portinari e Di Cavalcanti (maquiagem), trilha sonora que vai de música eletrônica ao rock industrial alemão do Rammstein, a pintura de Francis Bacon (personagem Sono), iluminação que incorpora globo espelhado e luz estroboscópica, fumaça para dar um recorte mais preciso ao desenho de luz e estabelecer um ambiente onírico, o conceito de hipermodernidade de Lipovetsky (vivemos a ideia da contenção associada à cultura do excesso), o conceito de microfísica do poder de Foucault  entre outros.

Sobre o Grupo

       Fundado em 1994 sob o nome Cia de Orquestração Cênica, o grupo passou a se chamar GARAGEM 21 em 2009. Com foco na reflexão sobre a condição do humano moderno nas grandes cidades, estreou em 1994 a montagem Subterrâneo, inspirada em Crime e Castigo e Notas do Subsolo. Em 1995, buscando a reflexão sobre o ideal de belo e sublime, estreou Desimagem, inspirado na obra de Baudelaire e com participação especial do ex-crítico teatral Alberto Guzik. Em 1997 foi a vez de Millennium, inspirado em Allan Poe, seguida por Queen – a Festa (1998), peça que convida o público ao aniversário da personagem central em uma danceteria. Em 2000 o grupo apresentou uma mostra de seu repertório no CCSP, com Queen – a Festa e as estreias de Diário de um Louco (de Nikolai Gogol) e Voragem (coletânea de contos de Caio Fernando Abreu). Em 2001 estreou no CCSP Diálogo Inútil do Abismo com a Queda, centrada na obra de Beckett e em 2002 foi a vez de a companhia iniciar o projeto de abertura do Espaço dos Satyros a outros grupos de teatro. Após uma pausa de 5 anos, o grupo foi retomado em 2007 com uma mostra de repertório no Porão do CCSP que envolveu Queen - a Festa, Sinfonia Patética, Intermezzo, Desconstrução e Diálogo Inútil do Abismo com a Queda. No mesmo ano cumpriu nova temporada de Sinfonia Patética, no Espaço dos Satyros. Em 2008 ficou 4 meses no Espaço dos Satyros com Diálogo Inútil do Abismo com a Queda. Em 2009 reestreou a peça Queen - a Festa e estreou as montagens Sessenta Minutos Para o Fim e Somente os Uísques São Felizes, todas no Espaço dos Satyros 2. Em 2010, além da estreia de Ratos Jogam Xadrez na Escuridão, estreará a peça Martelo Sueco, reunião de três textos curtos de Eduardo Sterzi, também no Espaço dos Satyros.

 


FODOROVSKA –
Estréia dia 4 de março, quinta, às 22h30 no Espaço dos Satyros 2 - Praça Roosevelt 134 – Centro – Tel: (11) 3258-6345. Direção, texto e trilha sonora: Cesar Ribeiro. Elenco: Paulo Campos (Homem); Bira Honorato (Enfermeiro 1); Sergio Silva Coelho (Enfermeiro 2/Fodorovska); Priscilla Maia (Velha 1/Cego 1); Keli Viacelli (Velha 2/Cego 2); Ruth Souza (Coelho); Nath Calan (Sono). Iluminação: Fábio Cabral e Cesar Ribeiro. Colaboradores: Bruno Gambarotto, Kenn Yokoi, Ulisses Sakurai. Preparação corporal: Bira Honoratto. Design gráfico: Daniel Lemos. Fotos e vídeo: Nelson Kao. Produção: Guto Mendonça. Realização: Garagem 21.

Temporada: de 4 de março a 27 de maio de 2010, às quintas-feiras, às 22h30. Gênero: Comédia. Duração: 60 minutos. Capacidade: 50 lugares. Recomendação etária: 12 anos. Preço: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

Sinopse: Para comemorar seus 250 anos, a Fábrica de Supositórios Brasil organiza uma festa de final de ano em que a atração principal é uma peça na qual um homem está morrendo cercado por personagens como um coelho escritor, uma mulher que só dorme e a estrela pop do Quirguistão Sonja Fodorovska.

 

Mais informações:
Assessoria de Imprensa
Renata Lopes – (11) 8389-6501
renatalo@gmail.com




 

 

 

 

 

Jornalista Ana Lucia Vasconcelos

Web designer-Edson Souza